Moro em Salvador, mas nem sempre foi assim. Um belo dia resolvi vir pra capital fazer uma faculdade melhor e eis que o caminhoneiro larga a seguinte pérola: “não é atoa que o ddd daqui é 71, só há picareta”.

Dentre as várias aventuras que me joguei teve aquela vez que “trabalhei” desenvolvendo numa agência dormindo lá todos os dias da semana e recebendo 800 reais, o pior disso tudo: EU AMAVA AQUELE LUGAR!! Tudo mudou quando me mandaram assinar um recibo de 20 reais sobre o meu transporte, não falei nada e não voltei mais lá, motivo? Achei que o primeiro documento que eu assinaria seria o meu contrato. Eu engordei 20 kg, estudei com muita garra laravel e scrum; queria muito fazer aquele albergue virar uma empresa respeitada no mercado! Machucou muito a indiferença dos meus líderes na época, eu pagaria para fazer aquele job.

Nada contra a cultura do empreendedorismo, apesar do asco que palavras como “oitenta horas semanais” e todo esse estrume do high stakes. A imagem abaixo é inspiradora, ver que alguem tem tanta garra e que não tem medo de se jogar; mas a legenda é de dar nojo pois ignora totalmente o ser humano inserido num contexto incerto, sem trabalho, servo de uma empresa sem nenhuma garantia tendo ainda que pagar pela ferramenta de trabalho. A parte mais divertida disso tudo é imaginar quanto esforço os empreendedores embusteiros tiveram de empregar pra enriquecer com seu empreendedorismo de palco e várias experiências em nada.

“Nos últimos anos, temos sido bombardeados por uma novilíngua corporativa cheia de anglicismos: é preciso ser “disruptivo” e “flexível”, ter “expertise” e “proatividade”, buscar a “inovação” e o “networking”. Pouco depois da reforma trabalhista feita sob o governo Temer, a propaganda do Santander nos anunciava zombeteira nossa “nova carteira de trabalho”: a maquininha de cartões portátil com que antigo assalariado deve agora “empreender”. Pululam por aí coaches e palestrantes motivacionais que mais parecem versões mais ou menos laicizadas do neopentecostalismo, prometendo o galardão terreno da ascensão social a todos quantos forem suficientemente “resilientes”, “trabalharem enquanto eles dormem” etc. Ao mesmo tempo, prolifera-se um discurso segundo o qual os empresários, verdadeiros Atlas plenivirtuosos que carregam o mundo nas costas, são muito onerados por impostos e direitos trabalhistas. A panaceia, dizem, é a liberalização completa das relações trabalhistas, para que todos possam “gerar valor” sem interferência do Estado malvadão. Que um tal discurso seja sustentado pelo Insper boy startupeiro não surpreende ninguém. A questão é que essas ideias têm se difundido cada vez mais entre pessoas que não são exatamente ricas, e cujas pendências ultraliberais na economia costumam acompanhar um conservadorismo de costumes.(…)

Claro que há exceções, um usuário postou a seguinte mensagem na página APDA no facebook. Suas intenções parecem ser honestas e não vejo mal algum nesse tipo de atitude, colar e fazer algo junto é massa!

(OBVIAMENTE TRATA-SE DE UM ESBOÇO GROTESCO ) eu nao sei programar e por isso fiz pelo paint só para tentar demonstrar um pouco sobre… a rede social seria para pessoas que gostam falar de politica ( principalmente nos dias atuais que existe uma “luta” da direita e esquerda)
alem disso, as pessoas criariam projetos que passariam por uma votação e seria selecionado para ser encaminhado oficialmente ao estado do indivíduo que a criou. posso até estar equivocado,mas acredito que seria uma aposta interessante. (imagem demonstrativa)

Programadores podem ter algum holofote, valoriza a gente; mas quando pessoas que não entendem de desenvolvimento tomam a frente de iniciativas por causa do holofote tornam a nossa comunidade tóxica, por exemplo: um amigo participou de um hackathon onde a equipe que ficou em segundo lugar fez um produto porco no blogger sendo que a empresa que organizou o hackathon se apropriou do trabalho da equipe dele que ficou em terceiro lugar e nem ao menos muito obrigado recebeu.

Conheço um programador que mora numa comunidade de Salvador chamada bairro da paz, esse brother mesmo sem pc nem internet em casa é um puta dum programador em cake php e faz coisa que assusta com simfony.

Possuimos sonhos, barreiras, toda uma estrada que foi e será caminhada. Nada contra a cultura do empreendedorismo, mas não sou apenas mais um e não acho justo pessoas serem pesadas em ouro. Qual a diferença entre um milhão a mais ou a menos na conta do Zuckberg? Seriam mais importantes que 500 reais na conta do meu amigo entregador ou do nosso jovem programador? Nada contra o empreendedorismo, mas meus empreendimentos são voltados para as pessoas que amo, para o meu filho, para minha namorada, para meus amigos e coisas que acredito. De que adianta trabalhar 80 horas se não posso passar duas com meu guri? Por quanto tempo alguem suportaria trabalhar em condições tão insólitas?

Boa parte do conteúdo deste post foi copiado da página “Empreendedor nem é gente” e “A.P.D.A. Associação de Programadores Depressivos Anônimos.”

Se você veio até aqui, agradeço o tempo gasto e espero que tenha gostado do conteúdo que compilei. Tenha um bom dia!

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